A Camex (Câmara de Comércio Exterior) divulgou ontem a lista definitiva de produtos norte-americanos cuja importação deverá ser sobretaxada em retaliação aos subsídios pagos pelo governo dos Estados Unidos à produção local de algodão.
De acordo com o despacho publicado no Diário Oficial da União de ontem, as alíquotas de importação definidas incidirão sobre esses produtos por um ano. A medida entra em vigor em 30 dias. Neste período, o governo dos EUA poderá negociar com o brasileiro para evitar a retaliação.
A lista tem cerca de cem itens entre frutas - como peras, cerejas e ameixas - sucos, produtos de higiene e maquiagem, plástico, algodão preparado, equipamentos industriais, aparelhos de som, veículos, óculos e escovas de dente. Sobre todos esses produtos incidirão alíquotas de importação que variam de 12% a 100% do valor.
O diretor do Departamento Econômico do Itamaraty, Carlos Cozendey, disse que a lista publicada ontem para retaliar a importação de 102 itens dos EUA deve ter um impacto comercial de US$ 591 milhões. Segundo ele, o valor é estimado com base no impacto do aumento da tarifa no valor final do produto. Esse valor é maior que os US$ 560 milhões autorizados pela Organização Mundial do Comércio (OMC) para o setor de bens.
Cozendey explicou que o valor autorizado pela OMC era o piso, mas poderia chegar a até US$ 829 milhões. No entanto, o Brasil decidiu que US$ 238 milhões serão utilizados na retaliação na área de propriedade intelectual e serviços.
Em novembro, o governo colocou em consulta pública uma lista com 222 produtos que poderiam ser retaliados e, no início de fevereiro, a Camex aprovou uma lista preliminar de produtos que poderiam sofrer retaliação.
A secretária executiva da Câmara de Comércio Exterior (Camex), Lytha Spíndola, informou que, na próxima reunião da Camex, marcada para o dia 23 deste mês, os ministros devem aprovar os termos da consulta pública das áreas de propriedade intelectual e serviços que serão objeto de retaliação.
Fonte: Folha de Pernambuco |