Um dia depois de admitir a possibilidade de flexibilizar a sua política cambial, a China indicou ontem que qualquer valorização que a venha ocorrer na sua moeda será gradual.
Segundo o ministro do Comércio, Chen Deming, a interrupção da apreciação do iuan, em meados de 2008, fez parte de um conjunto de medidas para favorecer o crescimento econômico durante a crise financeira mundial.
Desde então, Pequim mantém sua moeda praticamente atrelada ao dólar, num câmbio ao redor de 6,83 iuans - numa estratégia para ajudar os exportadores chineses. EUA e Europa vêm fazendo forte pressão pela valorização da moeda chinesa.
Abandonar o estímulo não significa que todas as medidas vão desaparecer. Elas continuarão a valer, mas haverá alguns ajustes finos, disse Chen à agência de notícias Reuters, durante uma sessão da reunião anual do Congresso do Povo, o Parlamento chinês.
O ministro disse que em momentos de crise a política cambial deve ser diferente daquela aplicada quando não há crise. Mas acrescentou: A direção da reforma no iuan será gradual e controlada.
Isso reduz a chance de uma valorização de uma única tacada, como preveem alguns economistas.
O sábado, o presidente do banco central da China, Zhou Xiaochuan, também declarou que é preciso que as autoridades chinesas hajam com cautela quando se trata de câmbio. Mas Zhou foi além e disse que o fim das medidas de estímulo vão, cedo ou tarde, acabar com a política especial para o iuan adotada como forma de reduzir o impacto da crise.
Esse foi o comentário mais claro que uma autoridade chinesa já fez publicamente sobre o fim do sistema de fato de atrelamento do iuan, escreveu o economista-chefe do HSBC na China, Qu Hongbin, em uma nota para clientes do banco.
Para ele, o crescimento econômico acelerado da China, a recuperação das exportações as pressões inflacionárias sustentam sua visão de que a China vai deixar talvez já próximo trimestre o sistema amarrar a moeda ao dólar. Mas o ritmo da valorização provavelmente será gradual. Esperamos uma taxa de câmbio de 6,50 iuans no fim do ano.
O ministro Chen Deming disse que as exportações chinesas se recuperarão totalmente quando a economia mundial tiver vencido por completo a crise.
Fonte: Valor Econômico |